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Revista veja | 26 de Outubro de 2011 Edição nº 2240-Completa

Brasileiros começam a se indignar com a corrupção, mal que consome por ano o dinheiro que seria suficiente para acabar com a miséria no país.
A máscara branca com bigode e cavanhaque negros de Guy Fawkes, usada pelo justiceiro solitário do filme V de Vingança. tornou-se o símbolo dos manifestantes que ocupam as praças das principais cidades do mundo em protestos contra a crise econômica. No Brasil, onde a situação da economia ainda não guarda semelhança com a turbulência dos países ricos, a mesma máscara passou a decorar as manifestações contra a corrupção. Em sua indignação contra o regime totalitário que domina a Inglaterra em 2020, o mascarado V manda pelos ares o Parlamento. Por aqui, em um regime democrático, ninguém com juízo pode defender a explosão das instituições. Mas motivos para se indignar e sair às ruas a exigir a reforma da política e dos políticos não faltam. Os brasileiros são expostos quase todos os dias pela imprensa - e, em especial, por esta revista - a reportagens que revelam vergonhosas práticas de corrupção em todos os níveis de governo. Como se diz no interior do Brasil, em matéria de encontrar malfeitos no universo oficial, é "cada enxadada, uma minhoca". Cada um desses casos escandalosos provoca um surto de indignação nos homens de bem - mas, como logo aparecem novas denúncias, as pessoas honestas são levadas a redirecionar a indignação para outro alvo e. ao fim e ao cabo, todos se sentem perdidos e desamparados. VEJA se propõe, nesta reportagem, a examinar o fenômeno da corrupção em sua completude, analisando especialmente os malefícios que o roubo constante do nosso dinheiro provoca em cada um de nós.

A conclusão a que se chega é de uma amarga simplicidade: a cada ano, a corrupção rouba dos cofres públicos brasileiros a exorbitante quantia de 85 bilhões de reais. Esse montante seria suficiente para resolver os principais problemas do país e acelerar seu desenvolvimento. Mas o que se vê como uma triste rotina são políticos desonestos embolsando esse dinheiro para o enriquecimento pessoal e o financiamento de campanhas de seus partidos.

A indignação com a corrupção ganhou força nos últimos meses, com a demissão pela presidente Dilma Rousseff de quatro ministros envolvidos em irregularidades. O último pilhado foi Orlando Silva, do Esporte . A atitude firme da presidente ajudou a despenar a população para o descalabro do desvio em massa do dinheiro do povo. Agora é preciso dar urgentemente o passo seguinte, que é estancar a sangria da riqueza nacional - pois os atuais mecanismos de prevenção e punição da corrupção não estão funcionando.

Nos últimos dez anos, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram desviados dos cofres brasileiros 720 bilhões de reais. No mesmo período, a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15000 contratos da União com estados, municípios e ONGs, tendo encontrado irregularidades em 80% deles. Nesses contratos. a CGU flagrou desvios de 7 bilhões de reais - ou seja, a cada 100 reais roubados apenas 1 é descoberto. Desses 7 bilhões de reais, o governo conseguiu recuperar pouco mais de 500 milhões de reais. O que equivale a 7 centavos revistos para cada 100 reais roubados. Uma pedra de gelo na ponta de um iceberg. Com o dinheiro que escoa a cada ano para a corrupção, que corresponde a 2,3% de todas as riquezas produzidas no país, seria possível erradicar a miséria, elevar a renda per capita em 443 reais e reduzir a taxa de juros "O custo elevado da corrupção no Brasil prejudica o aumento da renda, o crescimento do país, compromete a possibilidade de oferecer à população melhor qualidade de vida e às empresas um ambiente de negócios mais estável", analisa José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente-da Fiesp.

As principais causas da corrupção são velhas conhecidas: instituições frágeis, hipertrofia do estado, burocracia e impunidade. O governo federal emprega 90000 pessoas em cargos de confiança. Nos Estados Unidos, há 9051. Na Grã-Bretanha, cerca de 300. "Isso faz com que os servidores trabalhem para partidos, e não para o povo, prejudicando severamente a eficiência do estado", diz Claudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil.

Há no Brasil 120 milhões de pessoas vivendo exclusivamente de vencimentos recebidos da União, estados ou municípios. A legislação tributária mais injusta e confusa do mundo é o fertilizante que faz brotar uma rede de corruptos em órgãos como a Receita Federal e o INSS. A impunidade reina nos crimes contra a administração pública. Uma análise de processos por corrupção feita pela CGU mostrou que a probabilidade de um funcionário corrupto ser condenado é de menos de 5%. A possibilidade de cumprir pena de prisão é quase zero. A máquina burocrática cresce mais do que o PIB, asfixiando a livre-iniciativa. A corrupção se disfarça de desperdício e se reproduz nos labirintos da burocracia e nas insondáveis trilhas da selva tributária brasileira. Por essa razão, a vitória contra a corrupção passa também pela racionalização tributária, pela simplificação do estado cartorial brasileiro e pela diminuição do estado, que consome 40% da riqueza nacional e não devolve em serviços um décimo disso. Os brasileiros começam a acordar para essa realidade e a reagir a ela nas ruas. O episódio mais emblemático foi a coleta de 1,6 milhão de assinaturas que deu origem à Lei da Ficha Limpa. Agora, as pessoas começam a marchar contra a corrupção.

"As pessoas que hoje compõem a classe C ficaram mais conservadoras e mais zelosas com o que acabaram de alcançar. Esse é um fenômeno social comum sempre que uma parcela da população ascende socialmente", explica o cientista político David Fleischer. Segundo ele, a nova classe média abomina a corrupção e exige que o governo lhe ofereça melhores serviços de saúde, oportunidades de educação e mais segurança pública. "A corrupção é inerente a sociedades humanas. Arquivos descobertos em um centro administrativo da Assíria, em 1400 a.C., faziam referência a servidores civis cobrando propinas, com envolvimento dos líderes", diz Bryan Evans, pesquisador da organização inglesa de políticas públicas Tearfund. Talvez seja utópico esperar que a corrupção acabe, mas, como todas as pragas, ela" pode ser mantida em um nível mínimo. Lutar contra ela vale a pena.

No pódio da gastança

Depois de uma semana de competições com baixo nível técnico, a delegação brasileira ocupa o segundo lugar no quadro de medalhas dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México. Já no ranking de gastos infundados de dinheiro público, o Brasil subiu com folga no degrau mais alto do pódio. Mesmo realizados quatro anos depois - o que provoca um aumento natural nos custos, devido à inflação -, os Jogos deste ano custaram 2,3 bilhões de reais, quase a metade do que foi gasto no Rio de Janeiro em 2007. Além de mais barata, a competição em Guadalajara foi financiada pelo dinheiro privado. O governo mexicano arcou com apenas 521 milhões de reais (23% do total). Um dos principais palcos da competição, o estádio Omnilife, foi erguido com recursos do empresário Jorge Vergara, dono do time Chivas Guadalajara. No Brasil, em 2007, o custo da competição ficou em 4 bilhões de reais - dez vezes a previsão inicial e doze vezes a média das quatro edições anteriores. "O que aconteceu aqui foi uma mistura de falta de planejamento, incompetência administrativa e uma enormidade de gastos superfarurados", diz o procurador Marinus Marsico, do Tribunal de Contas da União

Não há outra resposta para explicar tamanha discrepância de gastos a não ser a corrupção. Um dos maiores símbolos das despesas desmedidas nos Jogos do Rio foi o Estádio João Havelange, o Engenhão. Inicialmente orçada em 166 milhões de reais, a obra acabou saindo por 400 milhões de reais, após vinte aditivos no contrato e a contratação de várias empresas sem licitação. "Apesar de o Engenhão ser um dos únicos equipamentos esportivos que não ficaram subutilizados depois da competição, o investimento feito nele não se paga. O Pan não trouxe nenhum legado para o Rio de Janeiro", analisa Amir Somoggi, especialista em gestão e marketing esportivo.

O Comitê Olímpico Internacional está preocupado com a possibilidade de ocorrer na Olimpíada de 2016, também no Rio, uma gastança semelhante à do Pan de 2007. Dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro receberam um aviso de que, se for para gastar uma montanha de dinheiro público e deixar os ginásios subutilizados, é melhor nem tirá-los do papel. Mesmo assim, o Engenhão passará por uma milionária reforma, que custará mais de 100 milhões de reais. A experiência de Guadalajara, apesar das diversas falhas na organização (no pentatlo, por exemplo, os atletas tiveram de enfrentar a piscina gelada), prova que é possível realizar um megaevento sem onerar demasiadamente os cofres públicos. "A diferença é que nos planejamos desde 2005 e não deixamos para executar as obras na última hora", diz o mexicano Jesús Brisefío, subdiretor do Comitê Organizador do Pan de Guadalajara. Simples assim.

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Revista veja | 23 de novembro de 2011 Edição nº 2244-scan

Descrição: Capa: O que é ser Normal? Novos estudos revolucionam o conceito de saúde mental.
Alemanha: Descoberta uma célula terrorista neonazista.
Psicologia: A necessidade e a utilidade da solidão.
Tecnologia: O navio modular da Marinha americana.
Vida Digital: Call of Duty: o game mais vendido da história.
Crime: Os próximos passos da polícia carioca na luta contra a bandidagem.
Casamento: Deputada revela em plenário traição do marido.
Internet: O Google abre loja de música para concorrer com o iTunes.
Cidades: Uma oportunidade para o Rio melhorar sua infraestrutura.


Estilo: Atualidades
Lançamento: Novembro 2011
Idioma: Português
Tamanho: 38 MB
Formato: PDF
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Tamanho: 38.10 MB




Revista veja | 19 de Outubro de 2011 Edição nº 2239

Projeto verão
A ciência, a tecnologia e a medicina ajudam mulheres e homens a chegar em forma à estação do sol.

“O ministro recebia o dinheiro na garagem”
Testemunhas de desvios acusam diretamente Orlando Silva, ministro do Esporte. 


Revista: Veja - 19 de Outubro
Edição: 2239
Editora: Abril
Lançamento: 2011
Formato: PDF
Tamanho: 53.77 MB







Revista veja | 16 de novembro de 2011 Edição nº 2243

Brasil
Corrupção Ministro do Trabalho usa avião alugado por empresário
Rio de Janeiro A prisão do chefão do tráfico na Rocinha
Economia
Europa A queda de Berlusconi e a crise do euro
Internacional
Irã Tudo pronto para fazer a bomba
Geral
Memória Joe Frazier
Esporte O Santos segura Neymar e frustra o Barcelona e o Real Madrid
Beleza Cunhada de Michel Temer desiste de posar nua
Gente
Vida digital Call of Duty: o game mais vendido da história
Guia
Dinheiro O bê-á-bá das finanças pessoais
Teste: veja se seu filho está no caminho certo
Artes & Espetáculos
Especial Fina Estampa: a heroína da honestidade que o povo aplaude
Livros Obra Reunida, de Ruth Cardoso
Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown
Conversas com Vargas Llosa, de Ricardo Setti
Sobre a China, de Henry Kissinger
Música A Valquíria e a importância de Richard Wagner
Televisão American Horror Story
Cinema O Guarda, de John Michael McDonagh
Veja Recomenda
Os livros mais vendidos
Roberto Pompeu de Toledo

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Revista veja | 09 de novembro de 2011 Edição nº 2242

OS BASTIDORES DA LUTA DE LULA CONTRA O CÂNCER: A luta do ex-presidente Lula contra um tumor maligno na laringe será difícil, com efeitos colaterais devastadores. Até agora, ele tem enfrentado tudo com transparência
O ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva comemorou seu 66° aniversário, em 27 de outubro último, uma quinta-feira, do jeito que ele gosta. À tarde houve uma festinha no Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Teve Parabéns a você, velinhas e bolo. À noite, no salão de festas de seu apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, celebrou de fato a data. Estava cercado pelos amigos da República Petista - Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência; os ministros Guido Mantega, da Fazenda; Fernando Haddad, da Educação; e Miriam Belchior, do Planejamento. Entre os governadores, marcaram presença Marcelo Déda, de Sergipe, e Jaques Wagner, da Bahia. Circulava por lá também José Dirceu, seu ex-ministro da Casa Civil. A comida foi pizza, fornecida pelo delegado Osvaldo Gonçalves Nico, dono de um restaurante na capital paulista, e a bebida, uísque e refrigerante. Seu médico e amigo, o cardiologista Roberto Kalil, foi um dos últimos a chegar, por volta das 10 horas.
Há vinte tipos de câncer de laringe, com 150000 novos casos por ano no mundo - dos quais 10000 no Brasil. O de Lula, carcinoma epidermoide, é o mais comum e também um dos mais agressivos. Sem tratamento, o tumor pode dobrar de tamanho em apenas dois meses. Em comparação aos cânceres que afetam outras partes do corpo, o de Lula é tido como de agressividade média. É mais violento do que muitos dos de intestino, por exemplo, que podem levar dois anos para duplicar sua área, mas mais indolente, ou de expansão muito mais lenta, do que algumas leucemias e melanomas, cuja evolução se conta em poucas semanas. Os tumores de laringe costumam atingir poucos nervos sensitivos. Ou seja, praticamente não provocam dor. A falta de sintomas faz com que 50% deles sejam diagnosticados em estágios avançados, quando já atingiram outros órgãos. Classificado entre os estágios T2 e T3 (o último é o T4), o câncer de Lula dava indícios de que poderia se alastrar até fevereiro. Em processo de metástase, os tumores de laringe se espalham mais frequentemente para o pulmão. Se esperasse para fazer os exames só depois de desfilar no Carnaval, como queria, Lula teria de enfrentar um inimigo praticamente invencível.

O câncer de Lula foi classificado pelos médicos como "localmente avançado". Ou seja, o tumor é grande, mas ainda está confinado à laringe. Nesses casos, a cirurgia costuma ser a primeira opção de tratamento: é rápida, e em um mês, em média, o paciente pode retomar suas atividades cotidianas. Em quadros como o de Lula, no entanto, a extração cirúrgica do tumor pode deixar sequelas graves. A pior delas é a perda da potência da voz - o que para um político (e, em especial, um político como Lula) representaria uma tragédia. Com 3 centímetros de comprimento, 2 de largura e 2 de espessura, o tumor do ex-presidente ocupa quase metade da laringe. Em uma de suas extremidades, esbarra por um ponto milimétrico na junção das duas cordas vocais (veja o quadro na pág. 80). Para que a voz não fosse prejudicada em uma cirurgia, o câncer deveria estar a uma distância de pelo menos 3 milímetros das cordas vocais. Os médicos temem controlar o câncer de Lula com um tratamento pesadíssimo, cujas chances de cura giram em torno de 80%, o mesmo índice atingido pela cirurgia. Na etapa inicial, o ex-presidente será submetido a quimioterapia. Serão três sessões, de 126 horas cada uma, a cada 21 dias. As seis primeiras horas de cada ciclo serão passadas no hospital. As outras 120, em casa, sob a supervisão de uma enfermeira nos períodos da manhã e da tarde. Nesse período, Lula tem de carregar uma espécie de pochete na cintura, a qual contém um dispositivo que bombeia os medicamentos ininterruptamente. Até o fim da semana passada, o ex-presidente passara relativamente bem pelo primeiro ciclo de químio. O primeiro sintoma dos medicamentos foi sentido na manhã de sexta-feira. Ele acordou enjoado, mas não chegou a vomitar. Entre o fim de dezembro e o início de janeiro, começará a segunda fase da batalha contra o câncer, por meio da combinação de rádio e quimioterapia. Os efeitos colaterais devem se tornar mais severos: além de enjoos, perda dos cabelos e pelos, vômitos, tontura, falha auditiva, entre outros. O tratamento poderá mudar se, no fim de novembro, terminado o segundo ciclo de químio, o tumor não regredir, no minimo; 50%. Sem essa melhora, o ex-presidente deve ser encaminhado para a cirurgia. Na literatura médica, a probabilidade de a quimioterapia não conter o tumor é de 10%.

As células do câncer de laringe costumam responder melhor à radioterapia. A químio só entrou para os protocolos médicos como opção de tratamento nos anos 90. No começo, ela era usada somente antes da rádio (na primeira fase do tratamento, portanto). O recurso de associar medicamentos quimioterápicos à radioterapia, na segunda fase, é o que existe de mais novo no combate ao câncer de laringe. Tal conduta passou a ser utilizada pelos oncologistas em 2007. A medicação quimioterápica, além de agir por todo o organismo combatendo possíveis focos de câncer que possam ter escapado da laringe, tem como objetivo, no caso desse tipo de tumor, enfraquecer as células doentes para o ataque da radioterapia.

O câncer de laringe está ligado a quatro principais fatores de risco, nesta ordem: cigarro, álcool, genética e refluxo gástrico. O tabagismo aumenta a probabilidade de desenvolvimento da doença em dez vezes. Lula fumou por cinquenta anos. Fumante inveterado, chegou a consumir dois maços de cigarro por dia, nas últimas décadas. Aqui um parêntese: Marisa ainda mantém o hábito, tragando, em média, vinte cigarros por dia. No dia em que o ex-presidente teve alta, em 1º de novembro, ela apareceu na janela (fechada) do apartamento de São Bernardo do Campo ajeitando uma cortina com um cigarro entre os lábios. Para os médicos, o ex-presidente diz ter abandonado por completo o vício em 28 de janeiro de 2010. Naquele dia, Lula teve de desistir de uma viagem a Davos, na Suíça, onde receberia o prêmio de estadista do ano concedido pelo Fórum Econômico Mundial, por causa de uma crise de hipertensão, uma condição associada ao cigarro. O ex-presidente sofre também de refluxo gástrico, condição em que os ácidos estomacais sobem e queimam os tecidos do esôfago e da laringe. Quanto à bebida, aprecia uísque, cachaça e cerveja. No domingo 30, Lula anunciou à família: "Vou tomar um último conhaque antes do tratamento".

O ex-presidente é avesso a cuidados médicos e, não raro, adia exames exigidos pelos especialistas. No dia em que sofreu um pico de pressão alta em 2010, Lula tentou postergar o check -up pedido por seu cardiologista. No entanto, desde que entrou no hospital para ser tratado do câncer, no último dia 31, o ex-presidente vem se revelando um paciente obediente. Ainda no centro cirúrgico, ao acordar da cirurgia de implantação do cateter pelo qual os remédios quimioterápicos seriam infundidos, sua primeira pergunta aos médicos e enfermeiros foi: ""Ainda vou ficar mais tempo nesta sala?". Diante da resposta de que teria de permanecer por mais alguns minutos, ele quis saber se Marisa estava bem e, em seguida, falou: "Vou dormir mais um pouquinho". Em todas as ocasiões que teve de circular pelos corredores do hospital, Lula pediu para usar touca e máscara azuis, para não ser reconhecido.

A transparência com a qual o ex-presidente enfrenta a doença é admirável. Desde o momento em que soube do câncer, ele pediu aos médicos que não escondessem nada sobre seu estado clínico. Antes de deixar o hospital, na terça-feira, Lula decidiu gravar uma mensagem de agradecimento às manifestações de carinho. No vídeo feito ainda no quarto 1125 do Sírio-Libanês, ao lado de Marisa, o ex-presidente disse estar preparado para enfrentar mais uma batalha ("nem a última, nem a primeira") e conta com a solidariedade de todos. Não perdeu também a oportunidade de resvalar no uso político da doença. Em tom messiânico, defendeu: "Precisamos continuar acreditando no país. Temos de acreditar na nossa presidente. Sem perseverança, a gente não consegue nada. Afinal de contas, eu vim para a Terra para lutar e melhorar a vida de todo mundo. Estou doido para falar "meus companheiros e companheiras" mais forte, mas não estou podendo ...". Os brasileiros querem vê-lo restabelecido, mas não porque ele seja fiador da estabilidade política ou do desenvolvimento do país. Lula é simplesmente um ser humano. Deveria bastar.

Compartilhar é para todos, é amizade e união e não a separação dessa massa maravilhosa, aqui não tem discriminação e sim UNIÃO. BAIXEM SEM FRESCURAS, Blogueiros, bom proveito.

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Revista veja | 02 de novembro de 2011 Edição nº 2241

Sumário
Descrição: Capa: 7 BILHÕES – A espaçonave Terra está ficando pequena. Humanos já somos 7 bilhões.
Especial: Foz do Iguaçu: o segundo maior destino.
Vida Digital: DVDs para assistir em várias plataformas.
Tecnologia: Sai a biografia de Steve Jobs.
Especial: Como a urbanização está melhorando a vida nas cidades com mais de 200 000 habitantes.
Líbia: O assassinato de Kadafi e de seu filho é um mau começo.
Corrupção: O governador do DF está na mira do PCdoB.
Roraima: Jato do governo recolhia dinheiro para a campanha.
Crime: O tráfico avança sobre as empresas no Rio.

Estilo: Atualidades
lançamento: 2011
Idioma: Português
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